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Retrato oficial de Thomas Merton como monje trapense, junto a posibles imágenes adicionales de su vida y monasterio.
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Thomas Merton - Monge Trapista, Teólogo e Místico do Século XX

Thomas Merton (1915-1968) foi um monge trapista americano, teólogo, escritor, poeta e místico que se tornou uma das figuras mais influentes da espiritualidade católica do século XX. Convertido ao catolicismo em 1938, viveu 27 anos na Abadia de Getsêmani em Kentucky, onde se destacou como contemplativo, ativista pela paz e promotor do diálogo inter-religioso.

Por Rev. Douglas Araujo

Vida e Formação

Thomas Merton nasceu em 31 de janeiro de 1915 em Prades, no Rossilhão francês. Cresceu em ambiente de tradição familiar protestante, mas desde jovem sentiu-se atraído pela liturgia católica. Sua formação acadêmica foi marcada por estudos na Universidade de Cambridge na Inglaterra e posteriormente na Universidade de Columbia em Nova York, onde completou sua tese de doutorado sobre A Natureza e a Arte em William Blake.

Durante seus anos universitários em Columbia, Merton foi um intelectual apaixonado, fascinado pelas obras de James Joyce e D.H. Lawrence, e simpatizante do comunismo no contexto da Nova York dos anos 1930. No entanto, sua vida intelectual e espiritual sofreu uma transformação profunda quando descobriu o catolicismo através da liturgia de uma igreja católica. Influenciado pelas leituras de Santo Agostinho, particularmente suas Confissões, e pela Imitação de Cristo, bem como pelas orientações de seu professor de literatura Mark Van Doren, Merton decidiu converter-se.

Conversão ao Catolicismo

Em novembro de 1938, Merton recebeu o batismo e, em 16 de novembro de 1938, foi confirmado na Igreja de Corpus Christi. Sua conversão marcou um ponto de inflexão em sua vida. Ele próprio escreveu:

Antes de converter-me ao catolicismo, eu estava meio chiflado, cheio de impaciência, tédio e pesar. Ao tornar-me católico, deixei de estar entediado ou inquieto, em qualquer sentido natural.

Após sua conversão, Merton sentiu um chamado interior para a vida religiosa. Inicialmente, tentou ingressar na Ordem Franciscana em Nova York, mas foi rejeitado pelos franciscanos, que se escandalizaram com seu passado turbulento. Não desanimado, Merton encontrou acolhimento na Universidade de St. Bonaventure, fundada pelos franciscanos em Olean, Nova York, onde trabalhou como professor. Durante este período, renunciou aos resquícios de uma vida desregrada e mergulhou profundamente na oração e espiritualidade, ingressando na Terceira Ordem Franciscana (Franciscanos Seculares).

Vida Monástica em Getsêmani

Em 10 de dezembro de 1941, Merton chegou à Abadia de Nossa Senhora de Getsêmani, uma comunidade de monges pertencentes à Ordem Cisterciense da Observância Estrita (Trapistas), a ordem monástica mais austera da Igreja Católica Romana. Esta abadia, localizada perto de Bardstown em Kentucky, seria seu lar pelos próximos 27 anos.

Em 19 de março de 1947, Merton fez seus votos solenes, vinculando-se permanentemente à vida monástica. Em 1949, foi ordenado sacerdote, recebendo o nome religioso de Padre Louis. Durante seus anos em Getsêmani, Merton se transformou em um escritor contemplativo e poeta de grande influência.

Desafios e Transformação Espiritual

Imediatamente após sua ordenação sacerdotal em 1949, Merton enfrentou uma longa e terrível depressão que marcaria profundamente sua vida monástica. As causas incluíam fadiga física e espiritual, escassez de tempo para contemplação, falta de privacidade na vida trapista cotidiana e o contraste entre a rudeza da comunidade e seu espírito refinado de intelectual universitário. Merton frequentemente tentava escapar dessa realidade através da máquina de escrever, canalizando suas angústias em sua obra literária.

Apesar desses desafios, ou talvez por causa deles, Merton se tornou um pensador que desafiou as certezas de seu tempo. Durante seus 27 anos em Getsêmani, ele se abriu ao diálogo com outras religiões, apoiando causas como o pacifismo e os movimentos antirracistas. Merton era, paradoxalmente, um homem contemplativo que também era muito propenso a reuniões e relacionamentos com pessoas. Chegou a ser mestre de noviços, tratando com religiosos de outras tradições, diversos autores e seus editores.

Ministério e Obra Intelectual

Escritor e Poeta Contemplativo

Merton se tornou um dos autores católicos americanos mais influentes do século XX. Sua autobiografia, A Montanha dos Sete Círculos (The Seven Storey Mountain), publicada em 1948, tornou-se um clássico da literatura espiritual, narrando seu percurso vital e espiritual desde seu nascimento até seu ingresso na vida monástica. O título é inspirado nos círculos representativos dos sete pecados capitais no Purgatório de Dante, mas a obra não relata fatos extraordinários; em vez disso, apresenta como a Providência Divina guia Merton através da vida ordinária para encontrar seu caminho em direção a Deus.

Ativismo pela Paz e Justiça Social

Nos anos 1960, Merton emergiu como uma voz profética na Igreja Católica americana. Segundo o padre Daniel Berrigan, Merton tornou-se a consciência do movimento pela paz dos anos 1960. Ele identificou a raça e a paz como as duas questões mais urgentes de seu tempo, tornando-se um forte apoiador do movimento dos direitos civis não-violento, que chamou de

certamente o maior exemplo de fé cristã em ação na história social dos Estados Unidos.

Diálogo Inter-religioso

Uma das características mais notáveis de Merton foi sua abertura ao diálogo com outras tradições religiosas. Em 1959, conheceu o sacerdote e poeta nicaraguense Ernesto Cardenal quando este chegou ao mosteiro. Merton encorajou Cardenal a criar uma comunidade cristã na América Hispânica, inspirando a fundação de Solentiname, uma comunidade nas ilhas do arquipélago do mesmo nome no Grande Lago da Nicarágua. Esta comunidade, que Cardenal descreveu como tendo Merton como seu fundador espiritual, era versátil e acolhedora, incluindo pessoas de todas as religiões e até mesmo pessoas não-religiosas mas espirituais, diferente dos mosteiros tradicionais e arcaicos.

Legado e Morte

Thomas Merton faleceu em 10 de dezembro de 1968 na província de Samut Prakan, Tailândia, onde havia viajado para participar de um encontro inter-religioso. Sua morte prematura aos 53 anos encerrou uma vida de profunda busca espiritual e contribuição intelectual.

Merton é lembrado como um homem de oração, um pensador que desafiou as certezas de seu tempo e abriu novos horizontes para as almas e para a Igreja; foi também um homem de diálogo, um promotor da paz entre povos e religiões. Sua influência transcendeu os muros do mosteiro, impactando gerações de católicos e cristãos que buscavam uma espiritualidade autêntica e engajada com as questões sociais de seu tempo.

Merton se comprometeu, do princípio ao fim, com o conhecimento de Deus. Não queria saber sobre Deus; queria encontrar-se com Deus. Sua vida e obra continuam inspirando estudiosos de espiritualidade, ativistas pela paz e aqueles que buscam integrar a contemplação com a ação social.

Nascimento

Data: 31 de janeiro de 1915
Local: Prades, França

Falecimento

Data: 10 de dezembro de 1968
Local: Província de Samut Prakan, Tailândia

Obras Escritas

  • A Montanha dos Sete Círculos (1948) - Autobiografia espiritual que narra a jornada de Merton desde seu nascimento até sua entrada na vida monástica. Tornou-se um clássico da literatura espiritual católica.
  • A Semana Santa - Obra de reflexão espiritual sobre o significado da Semana Santa na tradição cristã.

Livros Recomendados

Para aprofundar seu conhecimento sobre esta pessoa, recomendamos:

  • A Montanha dos Sete Círculos - Thomas Merton (1948)
    A autobiografia do próprio Merton, essencial para compreender sua jornada espiritual e intelectual.

Fontes e Referências

Este artigo foi elaborado com base nas seguintes fontes: