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Imagem representando Santa Ana e São Joaquim como avós de Jesus em contexto religioso devocional
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São Joaquim e Santa Ana - Pais da Virgem Maria e Avós de Jesus Cristo

São Joaquim e Santa Ana foram os pais da Virgem Maria e avós de Jesus Cristo. Segundo a tradição cristã, eram um casal de idosos que permaneceu estéril por mais de vinte anos antes do nascimento milagroso de Maria. Suas vidas exemplificam a fé perseverante e a confiança em Deus.

Por Rev. Douglas Araujo

Vida e Origem

São Joaquim e Santa Ana foram os pais da Virgem Maria e, consequentemente, avós de Jesus Cristo. Segundo a tradição cristã e os textos apócrifos, particularmente o Proto-Evangelho de Tiago, ambos eram judeus praticantes que residiam em Jerusalém, próximo à piscina de Betesda.

De acordo com as fontes tradicionais, Joaquim era descendente da casa real de Davi, pertencendo à linhagem real de Israel. Santa Ana, por sua vez, era filha de Mathan, um sacerdote de Belém, da tribo de Levi, e era natural de Belém. Essa dupla linhagem era teologicamente significativa, pois estabelecia uma conexão direta entre Jesus e as profecias messiânicas do Antigo Testamento.

O Milagre da Concepção de Maria

Um dos aspectos mais marcantes da história de Joaquim e Ana é o longo período de esterilidade que enfrentaram. Durante mais de vinte anos, o casal não conseguiu ter filhos, o que, para os judeus daquela época, era considerado sinal da falta de bênção e da graça de Deus.

Certo dia, quando Joaquim levava suas ofertas ao Templo de Jerusalém, foi repreendido por um homem chamado Ruben (possivelmente um sacerdote ou escriba). Ruben argumentava que, pelo fato de não procriar, Joaquim não tinha o direito de apresentar suas ofertas no Templo. Humilhado e transtornado com essas palavras, Joaquim decidiu retirar-se para o deserto.

Durante quarenta dias e quarenta noites, Joaquim suplicou a Deus entre lágrimas e jejuns, pedindo que lhe desse descendentes. Simultaneamente, Santa Ana também passou dias em oração, pedindo a Deus a graça da maternidade. A tradição relata que, quando Joaquim retornou de sua retirada espiritual, encontrou-se com Ana diante da famosa Porta Dourada de Jerusalém, onde se beijaram em sinal de reconciliação e esperança renovada.

Meses após o retorno de Joaquim, Santa Ana deu à luz a Maria. A criança foi criada com o cuidado carinhoso do pai e a atenção amorosa da mãe, em sua casa situada perto da piscina de Betesda.

Educação e Dedicação de Maria

Joaquim e Ana, gratos pela bênção recebida, dedicaram-se à criação de Maria com amor e devoção extraordinários. Conscientes da natureza especial de sua filha, educaram-na nos caminhos da fé e da virtude, preparando-a para o papel único que desempenharia no plano divino.

De acordo com a tradição cristã, quando Maria completou três anos de idade, Joaquim e Ana, em sinal de agradecimento a Deus, levaram-na ao Templo de Jerusalém para consagrá-la ao seu serviço, conforme haviam prometido em suas orações. Maria permaneceu no Templo até os doze anos de idade, período durante o qual recebeu educação religiosa e aprendeu as artes domésticas com sua mãe antes de sua dedicação ao serviço do Senhor.

A tradição relata que Santa Ana viveu até aos oitenta anos de idade, enquanto os textos apócrifos não fazem outras referências específicas sobre Joaquim após a apresentação de Maria no Templo.

Significado Teológico e Espiritual

São Joaquim e Santa Ana ocupam um lugar especial na teologia cristã, não apenas como pais de Maria, mas também como figuras que exemplificam virtudes cristãs fundamentais. Sua história é frequentemente interpretada como um testemunho da fidelidade de Deus às suas promessas e do poder da oração perseverante.

Teologicamente, Joaquim e Ana são vistos como instrumentos cruciais no plano divino de salvação. Sua fé inabalável diante da adversidade e sua disposição em dedicar sua filha a Deus são consideradas exemplares. Como pais de Maria, desempenharam um papel fundamental na criação e educação daquela que se tornaria a Mãe de Deus, contribuindo assim para a preparação do caminho para a encarnação de Cristo.

Culto e Veneração

A devoção aos pais de Maria é muito antiga no Oriente cristão. No Ocidente, o culto de Santa Ana remonta ao século VIII, quando, no ano de 710, suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla, donde foram distribuídas para muitas igrejas do Ocidente. A maior coleção de relíquias de Santa Ana encontra-se na Igreja de Sant'Ana em Düren, Alemanha.

Ao longo dos séculos, a Igreja Católica e as igrejas ortodoxas recordaram Joaquim e Ana em datas litúrgicas diferentes. A iconografia do encontro de Joaquim e Ana diante da Porta Dourada teve grandes dimensões na tradição cristã, simbolizando o momento em que receberam a promessa do nascimento de Maria.

No século XII, os Cruzados construíram uma igreja em Jerusalém, próximo à piscina de Betesda, dedicada a Santa Ana, no local onde tradicionalmente se acreditava ter sido a casa dos pais de Maria. Esta basílica ainda existe e é um importante local de peregrinação.

Legado

O exemplo de vida de São Joaquim e Santa Ana continua inspirando os cristãos como modelo de fé, paciência e confiança em Deus. Sua história demonstra como a oração perseverante e a submissão à vontade divina podem levar a milagres e bênçãos extraordinárias. Como avós de Jesus Cristo, sua importância na história da salvação cristã é fundamental e permanece celebrada pela Igreja até os dias atuais.

Nascimento

Local: Jerusalém

Festa Litúrgica

26 de julho

Padroado

  • Pais idosos
  • Casais estéreis
  • Avós
  • Padroeiros de São Paulo (Santa Ana desde 1782)

Livros Recomendados

Para aprofundar seu conhecimento sobre esta pessoa, recomendamos:

  • Proto-Evangelho de Tiago - Autor desconhecido (tradição cristã primitiva) (Século II)
    Texto apócrifo que contém as narrativas mais detalhadas sobre os pais de Maria, Joaquim e Ana, incluindo a história de sua esterilidade e o nascimento milagroso de Maria

Fontes e Referências

Este artigo foi elaborado com base nas seguintes fontes: