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Página da Wikipedia com retrato oficial e fotos biográficas de Irmã Dorothy Stang em diferentes fases da vida.
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Irmã Dorothy Stang - Religiosa e Mártir da Caridade na Amazônia em 2005

Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy, foi uma missionária católica estadunidense naturalizada brasileira que dedicou mais de 30 anos à defesa dos pobres, trabalhadores rurais e da floresta amazônica. Assassinada em 2005 por madeireiros e grileiros, sua morte repercutiu internacionalmente como símbolo da luta pela justiça social e sustentabilidade.

Por Rev. Douglas Araujo

Vida e Formação

Dorothy Mae Stang nasceu em 7 de junho de 1931, em Dayton, Ohio, nos Estados Unidos, quarta entre nove filhos de uma família católica de origem irlando-alemã. Aos 17 anos, decidiu seguir a vida religiosa, ingressando na Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, cuja missão principal é o trabalho voluntário com comunidades carentes.

Antes de vir ao Brasil, passou oito anos em estudos e lecionou nos Estados Unidos, fazendo seus votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência na década de 1950. Sua formação incluiu preparação para o apostolado em regiões pobres, alinhada à opção preferencial pelos pobres da Igreja Católica.

Chegada ao Brasil e Ministério Inicial

Em 1966, Irmã Dorothy chegou ao Brasil acompanhada de outras religiosas da congregação, iniciando seu ministério em Coroatá, Maranhão. Lá, focou na geração de emprego e renda por meio de projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto a trabalhadores rurais.

Na década de 1970, durante a ditadura militar, transferiu-se para a Amazônia, atuando na região do Xingu e da Transamazônica. Integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da CNBB desde sua fundação, acompanhou a luta dos camponeses contra grandes projetos de rodovias, agropecuária e exploração madeireira.

Atuação em Múltiplos Estados

Sua trajetória abrangeu sete estados brasileiros: Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará e Paraíba. Como educadora popular nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), promovia diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas para resolver conflitos fundiários.

Trabalho na Amazônia e o PDS Esperança

A partir de 1982, fixou-se em Anapu, Pará, defendendo pequenos agricultores contra grileiros, madeireiros e latifundiários. Implantou o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, um modelo de assentamento que gerava renda com colheita seletiva de madeira, agroecologia, reflorestamento e educação ambiental, sem destruir a floresta.

"Os pobres mais pobres", como ela se referia aos trabalhadores rurais, eram o foco de sua caridade. Enfrentou ameaças constantes, mas mantinha intensa agenda de defesa da reforma agrária justa e do equilíbrio entre produção e preservação ambiental.

Martírio e Legado

Em 12 de fevereiro de 2005, aos 73 anos, Irmã Dorothy foi assassinada a tiros em emboscada em Anapu, encomendada por fazendeiros e madeireiros. O crime, que chocou o mundo, teve cinco condenados, mas apenas um permaneceu preso em regime fechado anos depois.

Seu corpo foi enterrado em Anapu, a região que escolheu defender. Naturalizada brasileira, recebeu em 2004 premiação da OAB-PA por direitos humanos. Sua morte ampliou o debate global sobre exploração de terras na Amazônia, inspirando ativistas, especialmente mulheres indígenas e de comunidades locais.

A luta de Dorothy Stang reflete o protagonismo feminino na defesa da terra e da floresta, promovendo desenvolvimento sustentável como alternativa viável.

Seu legado inclui o fortalecimento de projetos como o PDS Esperança e a visibilidade internacional para conflitos agrários, consolidando-a como mártir da caridade na Amazônia.

Nascimento

Data: 7 de junho de 1931
Local: Dayton, Ohio, Estados Unidos

Falecimento

Data: 12 de fevereiro de 2005
Local: Anapu, Pará, Brasil

Fontes e Referências

Este artigo foi elaborado com base nas seguintes fontes: