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Retrato histórico e iconográfico de Santa Catalina de Siena, con imagens tradicionais da santa em vestes dominicanas.
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Catarina de Siena - Reformadora da Igreja em 1380

Santa Catarina de Siena foi uma mística, escritora e ativista eclesial que influenciou o retorno do papado a Roma e defendeu a reforma da Igreja durante o Grande Cisma do Ocidente, morrendo exausta em 1380 após anos de pregação e penitências.

Por Rev. Douglas Araujo

Vida e Formação

Nascida em 25 de março de 1347 na humilde família Benincasa, em Siena, Catarina de Siena era a 23ª filha de um tintureiro. Desde os seis anos, teve visões místicas, como a de Cristo ladeado por São Pedro, Paulo e João, que a marcaram profundamente[1][3]. Apesar da pressão familiar para um casamento arranjado, recusou-se e, aos 16 anos, após visão de São Domingos, ingressou na Terceira Ordem Dominicana como mantelata, vivendo reclusa em casa com votos de virgindade, oração intensa e serviço aos enfermos[1][2][3].

Em 1363, vestiu o hábito dominicano e formou a 'Bela Brigada', grupo de seguidores devotos. Superou pestes regionais, dando conselhos espirituais que alcançaram o papa Gregório XI em Avinhão[2]. Aos 21 anos, em 1368, teve visão de casamento místico com Cristo, que a enviou a obras de caridade e conversão de pecadores[4].

Ministério e Obra

Catarina emergiu como voz profética no século XIV, marcado pelo exílio papal em Avinhão. Viajou pela Itália do Norte e Central defendendo a reforma do clero e pregando o amor total a Deus como caminho de renovação[1]. Em 1375, em Pisa, usou sua influência para impedir alianças contra o papa[1].

Sua correspondência com príncipes, cardeais e papas era ousada: exortava Gregório XI a retornar a Roma e reformar a Igreja, removendo 'flores apodrecidas' do clero[3][4]. Em 1376, viajou a Avinhão com seguidores, repreendendo o papa pessoalmente pela pureza eclesial e o retorno pontifical, o que contribuiu decisivamente para sua volta em 1377[1][4][5][7].

Durante o Grande Cisma

Com a eleição de Urbano VI em 1378, o cisma eclodiu: cardeais franceses elegeram Clemente VII em Avinhão. Catarina defendeu Urbano VI, enviando cartas e indo a Roma, onde viveu na Casa di Santa Caterina na Piazza di Santa Chiara, convencendo nobres da legitimidade papal[1][2]. Fundou mosteiro em Belcaro em 1377 e escreveu seu Diálogo após experiências místicas[1].

'Partindo-me do corpo, na verdade, consumei e dei a vida na Igreja e pela Igreja Santa, o que me é singularíssima graça.'[5]

Legado

Exausta por penitências, Catarina faleceu em 29 de abril de 1380, aos 33 anos, na Basílica de Santa Maria sopra Minerva, em Roma, onde Urbano VI celebrou seu funeral[1][5]. Canonizada em 29 de junho de 1461 por Pio II, foi declarada Doutora da Igreja por Paulo VI em 1970, padroeira da Itália por Pio XII em 1939 e da Europa por João Paulo II em 1999[1][2][4]. Seu corpo está na referida basílica; a cabeça, em San Domenico, Siena[5]. Deixou mais de 380 cartas e o Diálogo, influenciando a unidade e reforma eclesial[5][7].

  • Defensora do retorno papal a Roma.
  • Reformadora moral do clero.
  • Mística com visões e escritos profundos.
  • Conselheira de papas em crise histórica.

Sua coragem em repreender papas pelo amor à Igreja inspira até hoje[3].

Nascimento

Data: 25 de março de 1347
Local: Siena, Itália

Falecimento

Data: 29 de abril de 1380
Local: Roma, Itália

Festa Litúrgica

29 de abril

Padroado

  • Itália
  • Europa
  • enfermeiros
  • doentes
  • pessoas com fogo de Sant'Antão

Obras Escritas

  • O Diálogo (1378) - Obra mística escrita após visões, expondo doutrina espiritual e apelos à reforma da Igreja.

Livros Recomendados

Para aprofundar seu conhecimento sobre esta pessoa, recomendamos:

  • Legenda Maior - Raimundo de Cápua
    Biografia oficial escrita por seu confessor, base para canonização e estudo de sua vida.
  • Catarina de Sena - Sigrid Undset
    Biografia detalhada que destaca seu papel na reforma e misticismo.

Fontes e Referências

Este artigo foi elaborado com base nas seguintes fontes: