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Retrato histórico de São Boaventura em hábito franciscano, ilustrando sua vida e devoção.
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São Boaventura - Frade Franciscano, Bispo, Cardeal e Doutor Seráfico da Igreja

Boaventura (c. 1217-1274) foi um teólogo e filósofo escolástico medieval, sétimo ministro-geral da Ordem dos Frades Menores, cardeal-bispo de Albano e Doutor da Igreja. Canonizado em 1482 e declarado Doutor Seráfico em 1588, dedicou sua vida à integração entre fé e razão, à liderança da ordem franciscana e à unidade entre as igrejas latina e grega.

Por Rev. Douglas Araujo

Vida e Formação

Giovanni di Fidanza, mais conhecido como Boaventura de Bagnoregio, nasceu entre 1217 e 1221 na cidade de Bagnoregio, na Itália. Aos 18 anos, partiu para Paris, onde ingressou na Ordem dos Frades Menores (franciscanos), iniciando uma trajetória que o tornaria uma das figuras mais influentes da Igreja medieval.

Em 1253, após concluir seus estudos de teologia, Boaventura conquistou o título de magister (professor) na Universidade de Paris, obtendo a licença para ensinar teologia. Sua formação intelectual foi marcada pela busca de harmonizar a filosofia a serviço da teologia, uma abordagem que caracterizaria toda sua obra acadêmica e espiritual.

Ministério Acadêmico e Intelectual

Como professor em Paris, Boaventura ganhou renome por suas intervenções eruditas e sua defesa vigorosa da Ordem Franciscana contra críticas de grupos que se opunham aos mendicantes. Três anos antes de sua eleição como ministro-geral, sua fama já lhe havia valido a posição de palestrante sobre Os Quatro Livros de Sentenças, uma obra fundamental de teologia escrita por Pedro Lombardo no século XII.

Em 1257, foi oficialmente reconhecido como doutor e mestre da Universidade de Paris, consolidando sua reputação como um dos grandes intelectuais de sua época. Nesse mesmo ano, porém, sua vida tomaria um novo rumo.

Liderança da Ordem Franciscana

Em 1257, aos 36 anos, Boaventura foi eleito Ministro-Geral da Ordem dos Frades Menores, cargo que o obrigou a abandonar o magistério em Paris e dedicar-se integralmente à liderança da ordem. Este foi um momento de transição crucial: deixava a vida acadêmica para assumir responsabilidades administrativas e espirituais de grande envergadura.

Durante seu mandato, Boaventura enfrentou o desafio de governar aproximadamente 30 a 35 mil frades espalhados por toda a Europa, Inglaterra e além. Calcula-se que consumiu um quarto de todo seu tempo de ministério caminhando pelas estradas da Europa, visitando comunidades, animando e guiando a ordem. Suas viagens como animador e guia da Ordem foram concluídas em 23 de maio de 1273, quando o Papa Gregório X o nomeou para novos encargos.

Em 1260, Boaventura escreveu a Legenda Maior, uma nova biografia de São Francisco que substituía todas as biografias existentes anteriores. Esta obra tinha como objetivo fortalecer a unidade da Ordem, que estava ameaçada tanto por correntes espirituais radicais quanto por tendências mundanas. A importância desta obra foi tal que inspirou o famoso pintor Giotto a criar sua série de Histórias de São Francisco.

Elevação ao Episcopado e Cardinalato

Em 1271, ao retornar para Viterbo, Boaventura ofereceu sua contribuição para a resolução do famoso Conclave, descrito como o mais longo da história, que elegeu seu amigo Gregório X como Papa. Este pontífice, reconhecendo os méritos e a sabedoria de Boaventura, o consagrou Bispo de Albano e Cardeal em 1273.

Como cardeal, Boaventura recebeu a importante tarefa de organizar o II Concílio Ecumênico de Lyon, cujo objetivo principal era restabelecer a comunhão entre as Igrejas Latina e Grega, uma divisão que havia marcado a cristandade desde o Grande Cisma de 1054.

O Concílio de Lyon e Morte

No Concílio de Lyon de 1274, Boaventura fez duas importantes intervenções que contribuíram para a aprovação de uma fugaz reunião entre as igrejas latina e grega. No entanto, logo após suas contribuições ao concílio, Boaventura faleceu repentinamente em 15 de julho de 1274, em circunstâncias que os historiadores descrevem como suspeitas. A união que ajudou a negociar, embora historicamente significativa, revelou-se precária e não perdurou.

Legado Espiritual e Intelectual

Boaventura foi canonizado em 14 de abril de 1482 pelo Papa Sisto IV e declarado Doutor da Igreja em 1588 pelo Papa Sisto V, recebendo o título de Doctor Seraphicus (Doutor Seráfico), em referência à sua profunda espiritualidade e à sua capacidade de integrar fé e razão.

Seu legado permanece significativo na história da Igreja e do pensamento medieval. Como teólogo e filósofo, Boaventura é lembrado por sua tentativa de harmonizar a filosofia aristotélica com a teologia cristã, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento escolástico. Como líder religioso, é reconhecido por ter consolidado e fortalecido a Ordem Franciscana durante um período crítico de sua história, merecendo o qualificativo de segundo fundador da Ordem, ainda que este título seja considerado algo exagerado por alguns historiadores.

Diversas obras que durante a Idade Média se acreditava serem de autoria de Boaventura foram posteriormente atribuídas ao chamado Pseudo-Boaventura, demonstrando a importância e a influência de seu nome no pensamento medieval.

Nascimento

Data: c. 1217-1221
Local: Bagnoregio, Itália

Falecimento

Data: 15 de julho de 1274
Local: Lyon, França

Festa Litúrgica

15 de julho

Padroado

  • Ordem dos Frades Menores
  • Teólogos
  • Filósofos

Obras Escritas

  • Legenda Maior (Vida de São Francisco) (1260) - Biografia oficial de São Francisco que substituiu todas as biografias anteriores, com objetivo de fortalecer a unidade da Ordem Franciscana. Inspirou o pintor Giotto em sua série de Histórias de São Francisco.
  • Comentários sobre Os Quatro Livros de Sentenças (c. 1250-1257) - Obra de teologia fundamental baseada no texto de Pedro Lombardo, consolidando sua reputação como grande intelectual medieval.

Livros Recomendados

Para aprofundar seu conhecimento sobre esta pessoa, recomendamos:

  • Boaventura: Uma Introdução - Diversos autores
    Estudos acadêmicos sobre a vida, obra e legado de Boaventura como teólogo, filósofo e líder religioso.

Fontes e Referências

Este artigo foi elaborado com base nas seguintes fontes: