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Ilustração do século XIX mostrando a captura de San Alphege, Arzobispo de Canterbury, pelos vikings em 1012.
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Santo Alphege - Arcebispo de Cantuária e Mártir (1012)

Ælfheah, conhecido como Alphege, foi um arcebispo anglo-saxão de Cantuária que se tornou mártir ao recusar o pagamento de resgate aos invasores dinamarqueses em 1012, priorizando o bem-estar de seu povo sobre sua própria vida.

Por Rev. Douglas Araujo

Vida e Formação

Ælfheah, mais comumente conhecido como Alphege, nasceu por volta de 953 ou 954 na aldeia de Weston, perto de Bath, durante o segundo grande período de ataques vikings contra a Inglaterra. Proveniente de uma família abastada, ele abandonou sua herança para seguir a vida religiosa, entrando no mosteiro beneditino de Deerhurst, em Gloucestershire, onde se tornou monge.

Após alguns anos no mosteiro, Alphege retirou-se para uma vida de eremita (anchorita), dedicando-se à contemplação e à ascese. Sua reputação de piedade e santidade logo o levou a posições de maior responsabilidade na Igreja. Foi nomeado Abade de Bath pelo renomado Santo Dunstan, e em 984 foi promovido a Bispo de Winchester, cargo que exerceu com distinção durante vinte anos.

Ministério e Obra Pastoral

Em 1005 ou 1006, Alphege foi elevado à posição de Arcebispo de Cantuária, recebendo o pálio em Roma. Durante seu episcopado em Winchester e seu arcebispado em Cantuária, Alphege foi conhecido por sua dedicação ao aprendizado e à reforma eclesiástica. Ele promoveu ativamente o culto de Santo Dunstan e encorajou o desenvolvimento intelectual dentro da Igreja.

Em 1006, Alphege participou ativamente dos decretos do Concílio de Enham, que abordava questões significativas causadas pelos ataques vikings. Sua liderança espiritual foi particularmente importante durante um período turbulento de invasões escandinavas na Inglaterra.

Anteriormente, em 994, o rei Æthelred o Indeciso havia enviado Alphege como embaixador para negociar com o rei norueguês Olaf, a quem ele encorajou a se converter ao cristianismo e confirmou na fé.

Captura e Martírio

Em setembro de 1011, os dinamarqueses invadiram grande parte do sul da Inglaterra. Apesar do pagamento do tributo Danegeld acordado, os invasores não cessaram seus ataques. Eles sitiaram Cantuária e a capturaram através da traição de um arquidiácono inglês chamado Ælfmaer.

Alphege foi capturado junto com outros magnatas e levado para Greenwich, onde foi mantido prisioneiro pela frota dinamarquesa por sete meses. Os invasores exigiram um resgate enormemente alto de 3.000 libras (uma quantia que valeria muito mais em moeda moderna). Os resgates foram pagos pelos outros prisioneiros, que foram liberados, mas a soma exigida pelo arcebispo era tão exorbitante que teria reduzido seu povo à miséria.

Alphege, conhecedor da pobreza de seu povo e movido por profunda compaixão cristã, recusou categoricamente a pagar seu próprio resgate e proibiu que qualquer um de seus súditos o fizesse. Sua recusa foi um ato de justiça cristã e sacrifício pessoal.

Furioso com a recusa, os dinamarqueses, durante uma festa embriagada no dia de Páscoa, 19 de abril de 1012, trouxeram Alphege e repetiram suas demandas. Quando ele novamente recusou, os invasores o atacaram brutalmente, atirando-lhe ossos de boi da festa e pedras. Finalmente, um machado foi desferido contra sua cabeça, matando-o. Segundo os relatos históricos, Thorkell, o Alto, o comandante viking, tentou salvá-lo oferecendo todos os seus bens, exceto seu navio, pela vida do arcebispo, mas foi em vão.

"Eles o atacaram com ossos e chifres de bois; e um deles o feriu com um machado na cabeça; de modo que ele caiu com o golpe. E seu sangue sagrado caiu na terra, enquanto sua alma sagrada foi enviada ao reino de Deus."

Legado e Canonização

Alphege tornou-se imediatamente um herói nacional entre os ingleses por sua morte. Seu corpo foi inicialmente enterrado na Catedral de São Paulo em Londres, onde os monges o veneravam no início e no final de cada dia.

Em 1023, após a vitória final dos dinamarqueses e a ascensão do rei dinamarquês Canuto (Cnut) ao trono da Inglaterra, o novo monarca adotou uma política de conciliação. Como ato de reparação, Canuto ordenou que os restos mortais de Alphege fossem transladados de Londres para Cantuária, onde ele é lembrado como mártir e santo.

Alphege foi canonizado em 1078, embora houvesse algumas dúvidas teológicas iniciais sobre se ele havia morrido propriamente pela fé cristã ou para evitar o pagamento de um resgate. No entanto, a Igreja reconheceu que ele morreu exercendo a virtude cristã da justiça, recusando-se a impor um fardo impossível a seu povo.

Santo Tomás Becket, um arcebispo posterior de Cantuária, orou a Santo Alphege em 1170, pouco antes de seu próprio martírio na Catedral de Cantuária. Em seu último sermão, Becket aludiu a Alphege como o primeiro mártir de Cantuária, e antes de sua morte recomendou sua causa a Deus e a Santo Alphege.

Relatos de conversões entre os soldados que mataram Santo Alphege surgiram logo após sua morte, sugerindo o impacto espiritual de seu martírio.

Veneração e Representação

O local de sua morte em Greenwich é marcado pela Igreja de Santo Alfege, que ainda existe hoje. Uma pedra em Cantuária marca seu local de sepultamento ao lado do altar-mor da catedral.

Na arte cristã, Santo Alphege é frequentemente representado com um machado, o instrumento de sua morte, ou como um pastor defendendo seu rebanho de lobos, simbolizando sua dedicação ao cuidado pastoral de seu povo.

Nascimento

Data: c. 953-954
Local: Weston, perto de Bath, Inglaterra

Falecimento

Data: 19 de abril de 1012
Local: Greenwich, Inglaterra

Festa Litúrgica

19 de abril

Livros Recomendados

Para aprofundar seu conhecimento sobre esta pessoa, recomendamos:

  • The Anglo-Saxon Chronicle - Vários autores (tradução e comentários modernos) (Original: século XI; edições modernas: várias)
    Fonte primária que contém relatos contemporâneos da morte de Alphege e dos eventos de 1011-1012

Fontes e Referências

Este artigo foi elaborado com base nas seguintes fontes: